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Motiva e Fundação Roberto Marinho levam apresentações culturais a estações de Metrô e VLT

Grupos que foram selecionados em edital da co.liga, passaram por jornada de formação e se apresentam ao público em São Paulo, Salvador e no Rio de Janeiro

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Escrito por Motiva, en 27/03/2026

Grupo de jovens artistas em frente a parede com frase inspiradora; uma bailarina está à frente em posição de alongamento.

Entre os dias 27 de março e o mês de abril, estações de metrô em São Paulo e Salvador e de VLT no Rio de Janeiro, administradas pela Motiva, recebem uma programação especial de apresentações culturais. As ações marcam a etapa final do edital Cultura em Movimento, iniciativa da Motiva, por meio do Instituto Motiva, em parceria com a Fundação Roberto Marinho.

 

Desde dezembro, os 12 grupos selecionados, quatro de cada cidade, participam de uma jornada de formação e preparação para a apresentação de seus espetáculos. Os coletivos trabalham com diferentes linguagens artísticas: do slam ao teatro, da música à dança, refletindo a diversidade de expressões culturais presentes nos territórios.

 

Na primeira etapa da formação, os participantes realizaram cursos sobre comunicação digital para projetos culturais na co.liga. Também participaram de aulas sobre expressão corporal, performance e apresentações em espaços públicos. Além de aprimorar as propostas artísticas de cada grupo, o processo formativo buscou fortalecer a presença digital dos coletivos, ampliando sua visibilidade e oportunidades de atuação.

 

“O edital Cultura em Movimento reafirma o compromisso do Instituto Motiva em democratizar o acesso à cultura e levar oportunidades para onde as pessoas estão. Ao apoiar coletivos locais, fortalecemos a economia criativa dos territórios e ampliamos o impacto social das nossas ações. Ver artistas ocupando espaços públicos e dialogando com o fluxo da cidade mostra, na prática, como a arte pode transformar realidades e aproximar comunidades do seu próprio patrimônio cultural”, afirma Renata Ruggiero, presidente do Instituto Motiva.

 

A formação incluiu ainda uma etapa prática. Cada grupo contou com o acompanhamento de mentores, que auxiliaram no desenvolvimento das propostas individuais e no aprimoramento das performances. Os ensaios também passaram a integrar a rotina dos participantes, aumentando a expectativa para o momento mais aguardado do programa: as apresentações públicas. Cada um dos grupos selecionados no edital recebeu um aporte de R$ 8 mil para apoiar sua jornada de formação. 

 

Na sexta-feira, 27 de março, as apresentações chegam ao metrô de São Paulo. Os grupos ‘Bunker’, ‘Cia Mandingueira’, ‘Olho da Serpente’ e ‘Trinca’ se apresentam na estação Vila Sônia, na Linha 4-Amarela. 

 

No fim de março, as apresentações do Rio de Janeiro acontecem no Terminal Gentileza, estação do VLT Carioca, com performances dos grupos Aula Delas, Companhia Macaná, Peleferia e Coletivo Corte. Em Salvador, as apresentações serão realizadas em abril, na estação Iguatemi, da Linha 2 do Metrô Bahia, com os grupos Da rua pra rua, afYAda’S, Fọ̀ Ìlù e Trup.Catraca.

 

 

Conheça os coletivos de Salvador

 

Voltado para iniciativas sociais, o Da rua pra rua é um coletivo cultural, artístico e educativo que tem como objetivo trazer perspectiva para as comunidades de territórios periféricos de Salvador e da região metropolitana. 

 

“A nossa expectativa para a apresentação é de mostrar a nossa mensagem-denúncia para o mundo através da arte e identidade local. Sempre buscamos valorizar a identidade periférica e elevar a autoestima dos jovens que fazem parte dela, mostrando que a arte pode ser um caminho e possibilidade para eles”, conta uma das participantes, Estéfane Santos.

 

O grupo de poesia afYAda'S relata que o processo de formação com a co.liga foi importante para revelar o potencial de transformação que o coletivo apresenta.  “Levar as afYAda’S para uma estação de metrô, onde milhares de pessoas circulam diariamente, significa tocar pelo menos uma delas com a nossa poesia e transformar o trânsito em um território de encontro”, conta Cecília Cabral.

 

Outro grupo selecionado é o coletivo Fọ̀ Ìlù, formado, que nasce do encontro entre ritmo, palavra e ancestralidade. Segundo as integrantes, a participação no edital surgiu do desejo de expandir o trabalho do coletivo e ocupar novos espaços de circulação artística. “Vimos no Cultura em Movimento uma oportunidade de fortalecer nossa pesquisa estética e amadurecer enquanto coletivo. As formações e mentorias foram fundamentais para dar forma e consciência ao nosso trabalho, ajudando a organizar nossos processos criativos, pensar estratégias de circulação e fortalecer a identidade artística do Fọ̀ Ìlù”, destacam.

 

Já a Trup.Catraca reúne artistas independentes que se encontraram durante a residência do Circo Picolino e passaram a desenvolver números a partir das linguagens do circo, da dança e do teatro. Eles levam intervenções artísticas para espaços públicos de Salvador e se sustentam por meio da contribuição voluntária do público. 

 

“Participar do edital Cultura em Movimento representa uma oportunidade inédita de levar nosso trabalho para o metrô de Salvador com apoio institucional e recursos para estruturar melhor a trupe. Além de enriquecer nossos currículos, essa experiência nos incentiva a criar números e ampliar nossa trajetória profissional”, afirmam os integrantes.

 

 

Conheça os grupos de São Paulo

 

Para o Coletivo Trinca, formado por artistas de origens indígenas, africanas e LGBTQIAPN+, o edital representa uma chance de dar continuidade a uma pesquisa artística marcada pela experiência de deslocamento após as enchentes no Sul do Brasil. Hoje radicado em São Paulo, o grupo transforma a vivência de refugiados climáticos em criação cênica. “A participação no Cultura em Movimento contribui para a sustentabilidade do coletivo e para a ampliação da visibilidade de narrativas historicamente apagadas, permitindo que suas ações artísticas se desdobrem em residências, oficinas e outras iniciativas voltadas à difusão de saberes ancestrais e práticas de bem viver”, diz Erick Flores. 

 

Coletivo Olho da Serpente, criado em 2021 por artistas originários, periféricos, migrantes e trans, vê na iniciativa uma possibilidade de fortalecer uma pesquisa que atravessa fotografia, performance, música e moda para refletir sobre pertencimento, memória e educação ambiental. “A participação no edital amplia o alcance de um trabalho que entende o corpo como arquivo vivo de histórias e saberes, conectando experiências de diferentes territórios da América Latina”, avaliam Pyxuá R. de Castro, Jessica de Campos e Nahuel Vera.

 

Para a Cia Mandingueira, o edital tem impacto direto na consolidação do espetáculo Acalanto para Mãos Ásperas, projeto que vem sendo desenvolvido pela companhia desde sua reformulação em 2024. “As formações e os recursos oferecidos fortalecem a base da montagem e ampliam a capacidade de circulação e impacto do grupo, contribuindo para sua continuidade e para a democratização do acesso ao teatro em territórios historicamente afastados dos grandes circuitos culturais”, avalia o grupo.

 

Os integrantes do BUNKER Coletivo destacam o edital como um divisor de águas em suas trajetórias. “A iniciativa projeta nacionalmente uma atuação construída em praças, quadras e espaços comunitários, além de validar as tecnologias sociais e artísticas desenvolvidas pelo grupo. A participação no Cultura em Movimento também é uma oportunidade de apresentar a comunidade de Pinheirinho dos Palmares a partir de sua potência criativa e cultural, reforçando o protagonismo da juventude periférica”, finaliza o grupo. 

 

 

Saiba mais sobre os coletivos do Rio de Janeiro

 

Companhia Macaná é um coletivo formado por cinco artistas que desenvolvem um trabalho de circo contemporâneo em diálogo com a dança. A proposta parte da cosmologia indígena, inspirada na tradição Guarani, para narrar a criação do mundo a partir de Tupã, com elementos simbólicos. Na apresentação, a ideia é traduzida em linguagem cênica por meio do circo contemporâneo.

 

“Estamos muito animados para as apresentações, porque, além de ser a estreia do espetáculo, também será uma oportunidade de levar a nossa cultura para um espaço urbano, onde muitas pessoas passam todos os dias. A expectativa é justamente essa: quebrar um pouco a rotina de quem está só de passagem e surpreender com a arte. Pensar que nosso trabalho pode impactar o público ali, mesmo que por alguns minutos, nos deixa ainda mais empolgados para esse momento”, conta a representante do coletivo, Bárbara Thaís.

 

Já o coletivo Aula Delas, criado por Isabella Silveira e Kley Hudson, tem como foco artistas e dançarinos trans. As fundadoras buscam reunir um grupo de pessoas que se identificam entre si e têm os mesmos olhares sobre o mundo. Chamada ‘Tiranas’, a performance conta com três mulheres trans em cena. “Como artistas autônomos, as aulas e palestrantes convidados no processo de formação foram muito importantes para enxergarmos diferentes caminhos e possibilidades de criação. O contato e a troca com os outros coletivos também foram essenciais e agregaram muito no processo criativo”, destaca.

 

Peleferia é uma companhia artística formada por artistas negros e periféricos que transformam vivências, memórias e resistências em criação. A partir do teatro e de múltiplas linguagens, o coletivo constrói narrativas que afirmam identidades, tensionam estruturas e provocam reflexão, levando ao palco a potência estética e a força de quem ocupa espaços com voz, presença e verdade.

 

Haverá também a participação do Coletivo Corte, formado por jovens artistas periféricos do Rio de Janeiro, majoritariamente do Complexo da Maré. O grupo trabalha a partir da pesquisa de narrativas contra-hegemônicas que denunciam violências estruturais e questionam mecanismos de exclusão social presentes na realidade dos integrantes. O coletivo é composto integralmente por artistas LGBTQIA+ e majoritariamente negros, nortistas e nordestinos, trazendo para a cena uma perspectiva crítica, potente e profundamente conectada ao território.

 

 

Sobre o Instituto Motiva | Entidade privada sem fins lucrativos, gerencia o investimento de impacto social da Motiva com o objetivo de gerar transformação e impacto social positivo na sociedade. Sua estratégica é organizada nas frentes de Soluções Sustentáveis, Qualidade de Vida e Redução das Desigualdades. Desde 2014, as ações do Instituto já beneficiaram mais de 24 milhões de pessoas. Saiba mais em: www.motiva.com.br/instituto/

 

Sobre a Fundação Roberto Marinho | A Fundação Roberto Marinho inova, há mais de 40 anos, em soluções de educação para não deixar ninguém para trás.  Promove, em todas as suas iniciativas, uma cultura de educação de forma encantadora, inclusiva e, sobretudo, emancipatória, em permanente diálogo com a sociedade. Desenvolve projetos voltados para a escolaridade básica e para a solução de problemas educacionais que impactam nas avaliações nacionais, como distorção idade-série, evasão escolar e defasagem na aprendizagem.  A Fundação realiza, de forma sistemática, pesquisas que revelam os cenários das juventudes brasileiras. A partir desses dados, políticas públicas podem ser criadas nos mais diversos setores, em especial, na educação. Incentivar a inclusão produtiva de jovens no mundo do trabalho também está entre as suas prioridades, assim como a valorização da diversidade e da equidade. Com o Canal Futura fomenta, em todo o país, uma agenda de comunicação e de mobilização social, com ações e produções audiovisuais que chegam ao chão da escola, a educadores, aos jovens e suas famílias, que se apropriam e utilizam seus conteúdos educacionais.  Mais informações no Portal da Fundação Roberto Marinho. Saiba mais: www.frm.org.br.